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sábado, 15 de outubro de 2011

Notícias: 15 de outubro e a hora dos indignados

Postagem Fernanda Freymann/GreenPOA


Green notícias

15.O



15 de outubro: a voz e a hora d@s indignad@s do Brasil e do mundo

Nuvens de fumaça cobrem cidade durante protestos em Roma; manifestações ocorrem em 82 países
Nuvens de fumaça cobrem cidade durante protestos em Roma; manifestações ocorrem em 82 países


O movimento dos "indignados" - nascido em Madri em maio e imitado por outros grupos, como "Ocupe Wall Street", nos Estados Unidos-- quer converter o 15 de outubro em um dia simbólico, com protestos em locais emblemáticos.

As manifestações também se espalharam pelo mundo sob o lema "United for globalchange" (Unidos por uma mudança global) e ocorrem neste sábado em 951 cidades de 82 países.


Neste sábado, os americanos também devem ir às ruas de Washington em ao menos quatro protestos.
O principal deles, a "Marcha por Empregos e Justiça", é organizado pelo reverendo Al Sharpton, ativista de direitos civis, radialista e fundador da organização National Action Network (Rede de Ação Nacional).
A marcha dever percorrer as ruas da capital até o monumento em homenagem ao líder do movimento de direitos civis Martin Luther King Jr, que será inaugurado oficialmente amanhã.
Outra manifestação, chamada de "Marcha pela Democracia", foi organizada pelo prefeito de Washington, Vincent Gray.
Mais dois movimentos, o "Ocupe DC", inspirado no similar nova-iorquino "Ocupe Wall Street", e o "Outubro 2011", já ocupam as ruas de Washington há vários dias e também farão demonstrações neste sábado.

No Canadá, uma porta-voz do movimento "Ocupemos Montreal" afirmou na rádio que cerca de 3.000 pessoas devem participar neste sábado de uma manifestação "pacífica e bilíngue" na praça Victoria de Montreal.

No Brasil o Movimento Democracia Real Já 

 Quem disse que queremos crescer assim?

Queremos um Brasil ecologicamente sustentável. Atualmente a política de desenvolvimento da matriz energética segue a devastação do meio-ambiente e do desrespeito aos povos originários, como a construção de Belo Monte, um atentado aos povos do Xingu. Não concordamos com o caminho que o governo federal está propondo - que prevê a construção de pelo menos mais quatro usinas nucleares até 2030 - no desenvolvimento de uma energia cara e não segura: Enquanto o Brasil segue com as usinas nucleares de Angra dos Reis, mesmo após a calamidade nuclear de Fukushima, há pouco incentivo às novas tecnologias energéticas sustentáveis, como a solar, eólica, de marés, para as quais o país possui enormes potenciais.

Equilibrado e para todos.

O agronegócio segue como um risco ao futuro. O desmatamento desenfreado, anistiado e estimulado pelo novo Código Florestal, segue transformando o Brasil numa grande fazenda de soja. Não há uma política séria de reforma agrária, de soberania alimentar e de preservação do meio-ambiente. Segue a destruição da Amazônia, o uso abusivo de agrotóxicos e a propriedade da terra cada vez mais concentrada.
Diz o site democraciareal.org:  É hora de assumir a nossa responsabilidade e o nosso direito a uma vida livre e justa. 15 de outubro: um só planeta, uma só voz.

Veja o manifesto


Fontes: Folha SP, democraciareal.org

terça-feira, 14 de junho de 2011

Últimas:

14/06/2011 - 05h02

Autoridades de Fukushima distribuirão medidores de radioatividade a 34 mil crianças



DA EFE




As autoridades de Fukushima anunciaram nesta terça-feira que no último trimestre do ano distribuirão dosímetros a cerca de 34 mil estudantes para controlar sua exposição à radioatividade, em meio à preocupação pelos níveis de contaminação na zona.
A Prefeitura de Fukushima, município situado a 60 quilômetros da usina de Daiichi, prevê distribuir os dosímetros em centros pré-escolares, colégios e institutos da cidade.


Além disso, os pais com crianças de menos de três anos poderão solicitar nos escritórios municipais um destes aparelhos, cuja venda disparou desde o início da crise nuclear, em 11 de março.
A distribuição dos dosímetros inscreve-se em uma campanha para garantir a saúde das crianças e dos jovens que incluirá ainda exames de saúde detalhados uma vez por mês, indicou a agência local Kyodo.
As autoridades de Fukushima tomaram esta decisão depois que a Prefeitura de Date, na mesma província, adotou uma medida similar após detectar em zonas isoladas do município níveis de radioatividade acima do limite recomendado, segundo a Kyodo.
O acidente na usina de Fukushima Daiichi levou o governo japonês a evacuar um raio de 20 quilômetros em torno da central e a declarar a área como zona de exclusão.
Além disso, recomendou aos moradores entre 20 e 30 quilômetros que permaneçam fechados em suas casas ou deixem o lugar, e evacuou outras cinco localidades situadas a até 40 quilômetros nas quais se detectou elevada radioatividade.
A Agência de Segurança Nuclear do Japão recomendou desalojar as pessoas em áreas com um nível anual de radiação superior a 20 milisievert, um número que, para organizações como o Greenpeace, é alto demais.
Na semana passada, o Greenpeace demonstrou preocupação pela radiação acumulada nas ruas e no solo de Fukushima, embora as autoridades insistam que por enquanto não excede os limites recomendados.

Folha de São Paulo 

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Ibama chama agentes do Brasil todo para a Amazônia



ANA FLOR

CLAUDIO ANGELO
DE BRASÍLIA

A explosão no desmatamento na Amazônia fez o Ibama suspender todas as suas operações de fiscalização no país para concentrar esforços na contenção da derrubada.
O governo acredita que o pulo nos índices de desmate é resultado da perspectiva de afrouxamento da legislação com o novo Código Florestal.
A determinação do Ibama foi baixada na segunda-feira, num memorando às superintendências de todo o país.
O documento, obtido pela Folha, determina que todas as operações de fiscalização do PNAPA (o plano anual de operação do Ibama) que não tenham relação com o combate ao desmatamento na Amazônia sejam suspensas. Para 2011, o programa tinha 1.300 operações previstas.
"Não adianta combater o tráfico de animais, por exemplo, se o habitat deles foi para o saco", diz o presidente do Ibama, Curt Trennepohl. "Foi a decisão mais lógica. Temos de estancar a hemorragia em Mato Grosso."
Agentes dos Estados também estão sendo deslocados em massa para a Amazônia. Segundo Trennepohl, há cerca de 520 homens na região agora. O número deve crescer, já que só do Rio Grande do Sul, nesta semana, serão deslocados mais 60 agentes.
O governo foi surpreendido pela retomada da devastação, principalmente em Mato Grosso. Dados preliminares do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a serem divulgados na semana que vem, sugerem um repique sem precedentes desde o final de 2007, quando o governo baixou o embargo de crédito aos desmatadores (gênese da polêmica atual sobre o Código Florestal).

PULO DO GATO
O diretor do Inpe, Gilberto Câmara, recusou-se a fornecer o dado, alegando que ele ainda está sob verificação. "O gato subiu no telhado. Falta ver o tamanho do pulo".
A expectativa em relação à mudança no código, em discussão no plenário da Câmara, é considerada pela área ambiental do governo um dos principais fatores por trás da aceleração da derrubada.
Como já é tradição na Amazônia, o setor produtivo se antecipa a decisões do poder público e derruba a floresta.
Neste ano, em MT, o objetivo do desmatamento seria criar "áreas consolidadas" antes da aprovação do código para ganhar anistia.
Parlamentares ruralistas e entidades do setor têm vendido à base que o novo código permitiria a manutenção de áreas rurais consolidadas e abriria a possibilidade de consolidar o uso de áreas de preservação permanente.
A retomada do preço das commodities no mercado internacional e a anistia ao desmatamento concedida pela recém-aprovada lei de zoneamento do Estado também são apontadas como causas possíveis do repique.
Segundo Trennepohl, a devastação tem se concentrado na região produtora de grãos do Estado, e o desmate é sobretudo para agricultura.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Barcos antigos são reutilizados e se transformam em abrigos


de Guilherme Augusti Negri


Pescadores de uma pequena ilha da Inglaterra reutilizaram antigos barcos de uma maneira bastante inteligente.
Eles retiraram os barcos da água e os colocaram na terra de ponta cabeça, como a madeira é extremamente forte e resistente a água ele se torna um perfeito galpão para armanezamento de produtos e como um abrigo.


Bacana demais né?
Fonte: Coletivo Verde e Rose'space
Fotos: Kevin Wakela / jones-y-gog


Londres tem ônibus a hidrogênio nas ruas

Novos veículos de emissão zero chegam às ruas londrinas neste ano. A tecnologia de hidrogênio vinha sendo testada na rota há três anos, para demonstrar sua viabilidade e conquistar apoio público. Segundo o Energy Efficiency News, são o primeiro de seu tipo no Reino Unido e os maiores atualmente em atuação na Europa.





Os ônibus, movidos a células de hidrogênio, se somarão a uma frota que já tem 100 veículos híbridos e deverá ter em breve 300. A capital da Inglaterra continua sofrendo com altos níveis de poluição e eles são 40% menos poluentes que os tradicionais ônibus a diesel.
“Os novos ônibus atravessarão as partes mais poluídas da cidade, cruzando dois hotspots de poluição, e ajudando a melhorar a qualidade do ar londrina”, disse o prefeito Boris Johnson.


sábado, 5 de fevereiro de 2011

Justiça obriga indústria nuclear a tratar rejeitos da extração de urânio

31 de janeiro de 2011 - Jornal Estadão

Temor de contaminação por milhares de toneladas de materiais radioativos em unidade de tratamento de minério em Caldas (MG) motivou ação; empresa, ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, nega riscos, mas inspeção do Ibama viu problemas


Em 1,4 mil hectares, o primeiro complexo de extração e concentração de urânio no Brasil se tornou um passivo de grandes proporções. Elefante branco do Programa Nuclear Brasileiro, a unidade de tratamento de minério (UTM) das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), na zona rural de Caldas (MG), está na mira da Justiça. Desativada há 15 anos, sua operação de descomissionamento não foi iniciada, gerando temor de contaminação.

De 1982 a 1995, a UTM de Caldas produziu 1,2 mil toneladas de concentrado de urânio, o chamado yellowcake (U3O8), que abasteceu a usina de Angra 1. Atualmente, a antiga mina a céu aberto deu lugar a um enorme lago de águas ácidas, que se formou na cava de cerca de 180 metros de profundidade e 1,2 mil metros de diâmetro.


O complexo armazena todo o parque industrial desativado, bacia de rejeitos e depósitos de armazenamento de materiais radioativos - aproximadamente 11 mil toneladas de torta 2 (concentrado de urânio e tório) e outras milhares de toneladas de mesotório -, que foram transferidos há duas décadas da Usina de Santo Amaro (SP) para a unidade.

A indefinição em relação ao acondicionamento dos rejeitos e materiais e o receio de riscos para o meio ambiente no entorno embasaram uma investida judicial contra a INB - antiga Nuclebrás, vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia e responsável pela cadeia produtiva do urânio no País.


Atendendo a um pedido do Ministério Público Estadual, o juiz Edson Zampar Jr., da Comarca de Caldas, concedeu em meados de outubro liminar obrigando a INB a adotar medidas de segurança para o tratamento de rejeitos nucleares resultantes da extração de urânio e o armazenamento adequado do material radioativo vindo de São Paulo.

A decisão judicial evidencia as dificuldades técnicas para a desativação e o tratamento do passivo ambiental de minas de urânio no momento em que o governo procura deslanchar o programa nuclear com a construção de Angra 3 - com previsão de entrar em operação em 2015 - e outras novas usinas no País.

O promotor José Eduardo de Souza Lima citou na ação relatórios do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) - autarquia federal responsável por fiscalizar as atividades da INB, mas que ao mesmo tempo controla a empresa.

Lima também afirma que não são conhecidos os riscos de contaminação do lençol freático e demais recursos hídricos pelos materiais lançados na bacia de rejeitos.

Contaminação. Ofícios de inspeções da autarquia federal e do Ibama feitas em 2008 relataram a existência de recipientes corroídos, entre 40 mil tambores metálicos e bombonas; falta de manutenção dos pallets que as sustentavam e material radioativo derramado no chão, além de problemas no sistema de isolamento dos galpões de armazenamento, em precárias condições.

O superintendente de Produção Mineral da INB, Adriano Maciel Tavares, garante que o material radioativo se encontra em local seguro e monitorado, não havendo risco de contaminação. "O Ibama fotografou uma serpente que estava morta no meio de uma poça e um líquido viscoso de um desses tambores que vazaram. Tinham ratos mumificados", rebateu o promotor.


Acompanhado por dirigentes da empresa, o Estado visitou a unidade. Em meio a enormes estruturas e equipamentos desativados, há pilhas de minério de urânio expostas num pátio da unidade de beneficiamento.

Ao conceder as liminares, o juiz estipulou prazo de 90 dias para o cumprimento das determinações da CNEN e multas milionárias no caso de descumprimento. A decisão obriga a INB a analisar a radiação no solo, nos animais, nas plantas, no lençol freático e nos rios que cortam as cidades da região. E determina um laudo técnico sobre a eficiência do sistema de monitoramento ambiental e da bacia de rejeitos e proíbe a instalação, a qualquer pretexto, de um aterro sanitário na UTM de Caldas, sob pena de multa de R$ 50 milhões.


Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110131/not_imp673180,0.php
 

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Catadores do Cairo usam lixo para conseguir luz e água quente


Eles vivem com menos de um dólar por dia, não têm emprego nem comida e às vezes sequer água ou eletricidade e, no entanto, construíram em seus tetos tecnologia sustentável de primeira qualidade com a única coisa que têm de sobra: o lixo.

Alguns moradores da comunidade de Zabbaleen (catadores de lixo, em árabe) construíram aquecedores solares com materiais recicláveis que proporcionam a eles água limpa e quente.
Assim, para os habitantes deste bairro, tornou-se coisa do passado aquecer água na estufa ou com querosene, que anualmente causam a morte de 30 pessoas por acidentes.


Moradores da comunidade de Zabbaleen construíram aquecedores solares com materiais recicláveis
Moradores da comunidade de Zabbaleen construíram aquecedores solares com materiais recicláveis

-Amel Pain/Efe
 
 
O autor intelectual –e principal executor– dessa ideia é o cientista americano Thomas Culhane, apaixonado pela criação de cidades sustentáveis, que se mudou para a favela do Cairo há quatro anos para iniciar o projeto.
A missão de sua ONG, Solar Cities, se limita a diminuir as despesas em energia e resíduos nas áreas dos lares que mais os produzem– banheiros e cozinhas.
 
A tecnologia é tão simples que até “uma criança de dois anos pode fazê-lo. Com a ajuda do pai, claro”, ressalta Culhane, enquanto olha a foto de seu filho com uma chave de fenda na mão.

As 17 placas solares já instaladas no bairro, construídas com canos de ferro e chapas de alumínio de latas recicladas, aquecem a água que percorre os canos e a enviam a um tanque conectado com mangueiras e válvulas, também extraídas do lixo.
 
Um efeito de sifão faz com que a água quente se acumule no alto do tanque e que a água fria saia por baixo para entrar novamente no coletor solar.
 
“Não é uma tecnologia que veio de mim, mas saiu da própria comunidade. Carpinteiros, encanadores, eletricistas, soldadores e artesãos. Todos cooperaram com ideias”, explica o físico.
 
O benefício é que, com um só dia de “bom sol” –coisa que não falta no Cairo ao longo do ano–, uma família pode ter 200 litros de água quente sem gastar um só centavo.
 
ENTRE MONTANHAS DE LIXO 

O projeto na comunidade de Zabbaleen, onde vivem cerca de 50 mil pessoas entre montanhas de lixo, não termina por aí, já que em alguns lares também foram construídos sistemas que permitem obter gás a partir da decomposição dos resíduos orgânicos.

“O maior problema das cidades é o lixo orgânico”, ressalta Culhane. No entanto, segundo ele, com esses biodigestores, os resíduos desaparecem, “evitando odores, doenças e ratos”.
 
“É ótimo que as pessoas falem da mudança climática e de controlar seus efeitos, mas com isso nós estamos salvando vidas”, argumenta Culhane, ao dar o exemplo de seu principal colaborador, Hanna Fathy, cuja sobrinha de um ano de idade foi devorada pelos ratos.
 
A casa de Fathy, um egípcio de 27, localizada na comunidade Zabbaleen, na zona de Manshiyat Nasser, pode ser comparada aos lares sustentáveis dos países mais desenvolvidos.
 
Com seu sistema de aquecedores solares, a família tem água quente todos os dias. O biodigestor proporciona uma hora de gás ou 45 minutos de eletricidade. Além disso, a família se dá o luxo de ouvir música na rádio.
 
“Gosto de mostrar às pessoas todos os benefícios que o sol pode nos dar com uma tecnologia barata que eles mesmos podem construir”, afirma Fathy, que vive dos chamados “tours solares”, oferecido pela Solar Cities em seu site.
 
Para Culhane, o Egito tem “os profissionais, os recursos e a criatividade” para resolver suas principais necessidades. “Só é preciso que comecemos a mudar de mentalidade.”
 
E ele promove essa mudança de uma maneira mais que original. Com seu violão solar e suas próprias composições, Culhane faz os Zabbaleen cantarem músicas pegajosas: “É hora de mudar o biogás!”

Fonte: Folha.com



Deixe o que não te serve na calçada..


A iniciativa aconteceu no dia 25 de setembro nos Estados Unidos. Nesta ocasião, uma série de objetos ficaram disponíveis, gratuitamente, pelas calçadas de várias casas em todo o país. Foi o “Give Your Stuff Away Day” (ou, Dia de Doar Suas Coisas, em tradução livre).

Mike Morone, idealizador da iniciativa, quer que isso ocorra no mundo todo, duas vezes por ano, com o propósito de ajudar pessoas que não possuem coisas básicas para sua sobrevivência e bem-estar, reduzir a quantidade de lixo e, até mesmo, diminuir a bagunça que temos em casa – quantas coisas você sabe que não vai mais usar e, mesmo assim, continuam em algum canto, desperdiçadas?

O plano foi que todos os americanos levassem suas coisas não mais desejadas, mas ainda com potencial de uso, para a calçada. Porém, para aderir a essa iniciativa, algumas regras precisam ser seguidas. Não vale levar: lixo, material ilegal, itens perigosos, comida, drogas, produtos químicos e armas.

Depois, é só participar da diversão, observando como alguns objetos que não têm a menor importância para algumas pessoas podem ter muito valor para outras e mesmo passeando pelas calçadas da vizinhança, garimpando peças de seu interesse.
Mesmo que você não esteja nos Estados Unidos, que tal combinar com as pessoas da sua rua, do seu bairro ou mesmo da sua cidade e fazer o mesmo? Apenas se lembre de avisar à prefeitura para evitar que alguma ação policial detenha a iniciativa. E se alguns objetos não forem pegos em até dois dias, tenha o cuidado de recolhê-los de volta, não vá deixá-los virar lixo fora do lugar.


*Give Your Stuff Away Day

fonte: Planeta Sustentável

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

1º Festival Internacional de Filme sobre Energia Nuclear


O 1º Festival Internacional de Filme sobre Energia Nuclear vai acontecer em Maio 2011 no Rio de Janeiro e em Junho 2011 em São Paulo.
O Festival pretende informar a sociedade e estimular produções independentes audiovisuais sobre energia nuclear e todo o ciclo nuclear, os riscos da radioatividade e especialmente sobre exploração, mineração e o processamento de Urânio. Toda sociedade, todo povo tem o direito de escolha. Mas para decidir é necessário informação. Acreditamos que informação independente é essencial para o cidadania global. Informação independente é o básico para decisões independentes.
As inscrições acontecem de 6 de outubro de 2010 até 20 de janeiro de 2011.
Maiores informações no sítio do Festival em http://www.uraniumfilmfestival.org/html/portugues.html
Fonte: EcoDebate e Vista-se

CAETITÉ: Problemas com Radiação Nuclear na Bahia


Radiação nuclear. Caetité pede atenção. Entrevista com Zoraide Vilas Boas | Localizada a 750 quilômetros de Salvador (BA), Caetité vive as consequências da exploração de uma mina de urânio na cidade que tem rendido problemas como o aumento do custo de vida e, ainda, contaminação da água da qual 46 mil pessoas utilizam diariamente. “Entre os problemas principais estão o aumento da incidência de câncer, o potencial de drenagem ácida no sítio da mina e a preocupação com o futuro, pela convivência com uma indústria que já rendeu para Caetité o estigma de região radioativa e futuro depósito de lixo atômico, afugentado turistas e estudantes”, explica Zoraide Vilas Boas, presidente da Associação Movimento Paulo Jackson, em entrevista concedida à IHU On-Line por e-mail.
*ENERGIA NUCLEAR:  Toda sociedade, todo povo tem o direito de escolha*Zoraide nos conta sobre os incidentes que já ocorreram na mina, como estes são apresentados à comunidade e que tipo de problemas a médio e longo prazos a convivência com a mina estão trazendo para toda a população da cidade. “A população passou a temer mais os efeitos da mineração na saúde, a partir de 2005, quando as Indústrias Nucleares do Brasil – INB admitiram que não faziam o monitoramento da saúde dos trabalhadores e dos moradores do entorno da mina, descumprindo a condicionante do licenciamento ambiental”, conta ela.
IHU On-Line – Qual a situação da mina de urânio localizado na cidade de Caetité (BA)?
Zoraide Vilas Boas – Não saberia dizer, com precisão, a situação da mina, porque a marca registrada do setor nuclear – de falta de transparência, de diálogo, de informação – não é diferente na Bahia, onde as Indústrias Nucleares do Brasil (INB) exploram urânio há mais de dez anos. Subordinada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, a INB é uma sociedade de economia mista que atua com produtos e serviços relacionados ao ciclo do combustível nuclear. É controlada pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), proprietária e, ao mesmo tempo, fiscal das principais instalações nucleares e radioativas do país. Assim, os poderes públicos, a imprensa, a sociedade não têm livre acesso ao que se passa na Unidade de Concentrado de Urânio (URA), que fica em Caetité, no sudoeste baiano.
O que sabemos é que a URA não consegue se enquadrar nas normas de radioproteção e segurança, nacionais e internacionais; que foi acusada de imperícia e negligência pela própria CNEN, que já parou sua produção inúmeras vezes para consertar erros do projeto de engenharia e que acumula várias queixas trabalhistas na Justiça, sendo réu em duas Ações Civis Públicas, propostas pelos Ministérios Públicos Estadual (MPE) e Federal (MPF), em 2009. Só em 2010 a empresa barrou duas visitas às suas instalações: uma da deputada do PV alemão, Ute Koczy, porta-voz do partido para assuntos relacionados à política de desenvolvimento. Em agosto, ela veio conhecer detalhes e efeitos socioambientais do Programa Nuclear Brasileiro e das representantes da Relatoria do Direito Humano ao Meio Ambiente, da Plataforma Dhesca Brasil (Direitos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais). E também barraram a visita da socióloga Marijane Lisboa, professora da USP, e da antropóloga Cecilia Mello, que tentaram conhecer a mineração, em julho passado.
A mina fica no distrito de Maniaçu, sertão da Bahia, entre os municípios de Lagoa Real e Caetité, a 750 quilômetros de Salvador, capital do estado. Caetité tem mais de 46 mil habitantes, sendo 40% na zona rural. Lagoa Real tem cerca de 14 mil, com 80% na zona rural. Ali, o urânio é extraído do minério, purificado e concentrado em forma de sal amarelo, que vai para o Canadá, onde é convertido em gás, seguindo para enriquecimento em países europeus e volta à Fábrica de Rezende (RJ), onde se conclui a geração do combustível para as usinas Angra I e II (RJ).
Apesar da tentativa de impor que o setor nuclear seja estratégico, de segurança nacional, o que justificaria sigilo total sobre suas atividades, os movimentos e entidades sociais e populares têm conseguido reagir contra a manipulação da informação pelo setor, a omissão dos poderes públicos fiscalizadores e a falta de controle social sobre a URA. Hoje, por exemplo, embora não se tenha conhecimento de comunicado oficial aos órgãos públicos, ou à sociedade, sabemos que a produção está parada desde julho passado.
Sindicalistas revelaram que isto aconteceu pela “inoperância e incompetência” dos gestores, responsáveis por “uma série de barbeiragens administrativas, onde o que se viu foi uma completa falta de entendimento entre a CNEN e a INB. Ninguém cobrava de ninguém a responsabilidade e a situação se agravou ao ponto de gerar um prejuízo imenso aos cofres públicos”. Falaram ainda que isto é parte de um plano “ardiloso e vil” para privatizar a empresa, mas não informaram os motivos da paralisação. Segundo comentários extraoficiais, um vazamento de solvente químico (ácido sulfúrico e outros) para o solo, de proporção ainda desconhecida, levou a paralisação para reconstruir a unidade de estocagem e regeneração de solventes, que era tecnicamente inadequada para o serviço. As comunidades estão preocupadas, pois há cerca de dois anos fotografaram, perto da área industrial, um minadouro estranho, de uma água barrenta e espumosa, fato até hoje não investigado, ao que se sabe. Fala-se também que as bacias de armazenagem dos rejeitos atômicos estão abarrotadas e a manta que fica no pátio de lixiviação, onde o minério é submetido à solução de ácido sulfúrico para a retirada do urânio, estaria furada, provocando contínuos vazamentos.
IHU On-Line – E quais foram os principais problemas que essa mina trouxe para a população?
Zoraide Vilas Boas – Inicialmente, Caetité sentiu os efeitos sobre a economia, com a subida de preços de bens de consumo, uso e serviços, de imóveis e aluguel, quando o custo de vida praticamente quadruplicou. Na sequência da degradação psicossocial e ambiental, vieram o medo, a incerteza pela convivência com uma atividade de alto risco para os trabalhadores, a população e o meio ambiente.
Entre os problemas principais estão a escassez e a contaminação da água, o aumento da incidência de câncer, o potencial de drenagem ácida no sítio da mina e a preocupação com o futuro, pela convivência com uma indústria que já rendeu para Caetité o estigma de região radioativa e futuro depósito de lixo atômico, afugentado turistas e estudantes. O comércio se queixa de prejuízos decorrentes do preconceito contra a mineração atômica, mas quem mais sofre são as comunidades que vivem num raio de 20 quilômetros, definido como área de influência da URA, perto de mil famílias de baixa escolaridade, lavradores, pequenos proprietários rurais, que são as mais desassistidas pelo Estado. Mas também comunidades rurais dos municípios de Lagoa Real e Livramento são afetadas pelos malefícios da mina.
A questão do saneamento ambiental em Maniaçu é gravíssima. Não existe água para consumo básico, nem para comer. Além de comunidades rurais estarem consumindo água contaminada, o aquífero está rebaixando e os poços estão ressecando rapidamente. Estes problemas já eram previstos no Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima), que indicou agravos à saúde da população, alteração da qualidade do ar, poluição radioativa e contaminação das águas subterrâneas, do solo e da vegetação. A região tem sofrido com a violação de direitos humanos, como o direito à segurança no meio ambiente do trabalho, à saúde, à informação.
Lavradores foram induzidos a autorizar o uso gratuito, por tempo indeterminado, das águas subterrâneas de suas propriedades, passando para a URA o controle da água, oriunda de poços artesianos. Dezenas de poços foram abertos e, em 2007, uma seca prolongada castigou mais de cem famílias rurais, que perderam lavouras e ficaram dependentes de água fornecida pela INB. Hoje temem o impacto da liberação de radônio na atmosfera e da poeira gerada pelas explosões atômicas e têm seus produtos agropecuários recusados em feiras livres. São as maiores vítimas do descaso, da omissão, da negligência dos poderes públicos locais, estaduais e federais.
IHU On-Line – Que tipo de incidentes já ocorreram na mina?
Zoraide Vilas Boas – Em dez anos de funcionamento, há registro de mais de 12 eventos, entre acidentes e incidentes nas instalações, no processo produtivo ou com operários, todos classificados pela empresa como rotina operacional, independente da sua dimensão. Muitos desses problemas, que envolvem também o transporte do urânio até o porto de Salvador, estão detalhados no Relatório sobre Fiscalização e Segurança Nuclear, da Câmara dos Deputados, que mostra os riscos de acidentes nucleares e radiológicos no Brasil devido à fragilidade da fiscalização e à falta de estrutura do sistema de radioproteção – o Sipron. O relatório denuncia a omissão e a conivência do Ibama, para com a mineração em Caetité, que é de alto risco para a população e o meio ambiente.
O primeiro e grave acidente ocorreu em abril de 2000, poucos meses após o início oficial da operação, com o rompimento das mantas de isolamento das piscinas, que liberou para o solo cerca de 67 quilos do concentrado de urânio. A INB e a CNEN tentaram esconder o fato a todo custo, chegando a sustentar uma versão de sabotagem. Só três anos depois admitiram o evento, afirmando que os danos foram insignificantes. Em 2004, a bacia de retenção de particulados da cava da mina transbordou sete vezes, liberando líquido, com concentração de urânio-238, tório-232 e rádio-226 para o solo. Os fiscais da CNEN recomendaram a suspensão da mineração, pelo risco de desabamento e contaminação do lençol freático, e a não renovação da Autorização de Operação. Mas a CNEN ignorou o parecer dos seus fiscais.
Em junho de 2008, ocorreu novo transbordamento de licor de urânio, só confirmado três meses depois pelo Ibama. No ano passado, mesmo sem autorização do Ibama, e sem licença de ampliação da planta para fazer extração subterrânea, a INB anunciou a conclusão de um túnel de 500 metros na rocha para começar a mineração subterrânea. De outubro a dezembro de 2009 ocorreram pelo menos mais dois vazamentos, numa freqüência de eventos que aumenta a desconfiança sobre as competências científica e técnica da empresa para lidar com a atividade atômica.
IHU On-Line – Quais são as principais reivindicações de quem vive na cidade?
Zoraide Vilas Boas – As populações da região reivindicam uma urgente auditoria no complexo INB, por um grupo técnico multidisciplinar, independente, com representantes da comunidade, e acompanhamento dos Ministérios Públicos Federal e Estadual; a implantação de um sistema de vigilância epidemiológica, toxicológica, para identificação de doenças decorrentes de radiações ionizantes e a instalação, no SUS, de um núcleo para a prevenção e tratamento de doenças ocupacionais. Reivindicam uma investigação socioambiental e epidemiológica, independente e transparente, sobre os riscos de contaminação humana e do meio ambiente por urânio e outros elementos químicos associados à exploração desse minério.
Desde 2008, com o agravamento dos conflitos pelo uso da água, escassa no semiárido e consumida em larga escala pela INB, as comunidades reivindicam a aplicação da Lei de Recursos Hídricos, segundo a qual, em situação de carência, a prioridade do consumo é para o abastecimento humano e animal. A partir de 2009 lutam pelo cumprimento da liminar concedida pelo juiz de direito de Caetité, em Ação Civil Pública proposta pelo MPE, que determina ao governo do estado, INB, prefeituras de Caetité e Lagoa Real a adoção de providências urgentes para garantir a segurança alimentar e de saúde das populações da região, ainda não cumpridas integralmente pelos réus.
Reivindicam também a imediata suspensão das atividades da INB, até ser garantida a proteção dos trabalhadores e da população, como foi requerido pelo PPF, em Ação Civil Pública. O MPF propôs ainda que a União e a CNEN custeiem a realização da auditoria independente, solicitada pela sociedade desde o acidente de 2000, e que o IBAMA suspenda a licença ambiental existente e não conceda outras até serem sanadas todas as irregularidades atribuídas à mineração, em especial a separação entre as funções hoje acumuladas pela CNEN, de órgão regulador e fiscalizador de si mesmo.
IHU On-Line – Que tipo de resíduos e lixo essa usina de Caetité produz?
Zoraide Vilas Boas – Para nós, o resíduos líquidos, sólidos, gasosos (este de dispersão incontrolável), “bota-fora”, rejeitos, estéril fazem parte de uma só, desafiante e perigosa incógnita, não solucionada por nenhum pais do mundo: o lixo atômico, gerado em atividades minero-radioativas, cujos efeitos duram pelo menos 50 mil anos, e que se avoluma no mundo, como uma ameaça para o futuro da humanidade.
O urânio sai da Bahia para alimentar as usinas de Angra dos Reis, deixando em Caetité os custos do uso dessa tecnologia, cara e perigosa. O lixo é produzido em grande quantidade, devido à baixa concentração do urânio, mas não se sabe quantas toneladas de rejeitos sólidos já existem. Segundo a INB, a produção de uma só tonelada de urânio está resultando em três toneladas de estéril. O lixo fica estocado em tonéis, abertos, corroídos, expostos a chuvas fortes, contribuindo para a contaminação do solo e das águas superficiais e subterrâneas e estaria sendo enterrado na URA. O futuro do lixo atômico em Caetité é uma grande interrogação e preocupação. Ao que tudo indica, pela omissão da prefeitura municipal e pela improvisação que predomina no setor, será deixado de herança para o município administrar quando a reserva do minério acabar.
IHU On-Line – O meio ambiente de Caetité mudou muito em função da usina de urânio?
Zoraide Vilas Boas – Certamente que o meio ambiente na região mudou muito e para pior. Os malefícios não foram ainda devidamente quantificados porque o setor nuclear, além de conseguir que a INB funcionasse desrespeitando os Princípios da Precaução e Prevenção, exigidos pela legislação ambiental, e as convenções internacionais de segurança nuclear, assistiu os poderes públicos estaduais, federais e municipais atravessarem mais de uma década sem fazer uma avaliação da qualidade do ar, da saúde dos trabalhadores e da população, dos produtos agropecuários, do solo. Só a água passou a ser monitorada, mesmo assim de forma irregular, pelo órgão gestor de águas do estado, o Inga.
Depois da primeira análise da qualidade da água no entorno da mineradora, que confirmou a contaminação de três poços ao redor da mina, denunciada, no final de 2008, pelo Greenpeace, o Inga fez mais três coletas, confirmando teor de radiação acima dos índices permitidos pela OMS, Conama e portaria de potabilidade da água do Ministério da Saúde. Por isto, determinou a interdição de 11 pontos, nove usados para consumo humano e animal e dois de uso industrial pela INB. Mas as comunidades seguem consumindo a água contaminada, pois o fornecimento de água potável pela estado, prefeituras e INB, determinado pela Justiça, não é suficiente para atender as necessidades das famílias afetadas.
IHU On-Line – Existe uma estimativa sobre a quantidade de casos de câncer que vem aparecendo na região de Caetité depois da exploração do urânio?
Zoraide Vilas Boas – Como falamos em relação à agricultura, ao saneamento ambiental, na assistência médico-social é o mesmo descaso. Não existe um acompanhamento transparente e permanente por parte dos poderes públicos competentes, nem pela INB, que possa revelar, com precisão, a evolução da saúde humana na região.
A população passou a temer mais os efeitos da mineração na saúde, a partir de 2005, quando a INB admitiu que não fazia o monitoramento da saúde dos trabalhadores e dos moradores do entorno da mina, descumprindo a condicionante do licenciamento ambiental. A assistência à saúde sempre foi precária na região, que não dispõe de um centro de diagnóstico de câncer, decorrente de exposição a radiações ionizantes, e novos casos são registrados, inclusive entre os trabalhadores.
Observações pessoais revelam um crescente índice de câncer e depoimentos de ex-empregados relatam contaminação por contato direto com o urânio. Em diversas inspeções na URA, o Centro de Saúde do Trabalhador da Secretaria Estadual de Saúde (SESAB) registrou irregularidades na avaliação de segurança e medicina do trabalho. Segundo a SESAB, as neoplasias apresentam tendência crescente entre os grupos causadores de morte, sendo a segunda causa de óbitos na região, desde 1999, período do início da exploração. O alto índice de causas de morte não identificadas, mais de 40%, dificultam uma estatística mais próxima da realidade, enquanto a INB, claro, nega qualquer nexo entre o crescente índice de câncer e sua atividade.
Sabemos que a mineração eleva o potencial de exposição à radiação, especialmente dos trabalhadores e das comunidades que vivem no entorno da mina. Contudo, o setor nuclear insiste que há um limite para a exposição à radiação, incapaz de afetar a saúde humana, minimizando os riscos da URA. Mas especialistas no ramo consideram que qualquer dose de radiação, por menor que seja, produz efeito colateral no ser humano. O relatório de 2005, da Academia Nacional de Ciências, sobre os Riscos a Saúde por Exposição a Baixas Doses de Radiação Ionizante, afirma que não existe limite seguro para radiação. Segundo a ciência médica, todos os níveis de radiação causam câncer, mesmo a exposição a doses muito baixas, como o setor nuclear classifica a radiação em Caetité, onde a saúde da população não recebe a atenção devida pelo poder público, enquanto as comunidades são obrigadas a deixar seus afazeres para ir à luta a fim de tentar assegurar seu direito à saúde, à informação, à justiça ambiental, à vida!
Fonte: Vista-se e (Ecodebate, 04/11/2010) publicado pelo IHU On-line, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.
[IHU On-line é publicado pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

sábado, 30 de outubro de 2010






Mesmo que nenhum candidato tenha assinado o compromisso, ambos disseram que eram a favor do desmatamento zero. Dilma, num comício em Belo Horizonte. Serra, no debate da Record. Nesta sexta, 29 de outubro, o Greenpeace protocolou pedido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que os pronunciamentos de ambos pelo desmatamento zero fossem incluídos em seus respectivos programas de governo registrados no próprio tribunal.
A pressão quebrou um tabu histórico. Foi a primeira vez que o tema ambiente figurou com razoável destaque na campanha eleitoral. Ainda que menos do que ideal, mas com força suficiente para mostrar aos candidatos que seja quem sair vencedor do pleito terá de prestar contas à sociedade sobre seus posicionamentos ambientais – e será cobrado por isso.
 Aos que entraram nessa refrega conosco, o Greenpeace dedica sua mais profunda admiração e reconhecimento pela disposição em empurrar para o palco eleitoral um assunto que nossos políticos teimam em deixar em segundo plano, esquecendo-se que ele é fundamental para definir o futuro desse país. 
E vamo que vamo, a eleição é neste domingo.  Vote com consciência. 

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

COP da Biodiversidade enfrenta mesmos problemas da reunião do clima

Nós estamos à beira de uma enorme convulsão de extinção’, diz o primatólogo Russel Mittermeier




 Delegados de mais de 190 nações deram início à Conferência das Nações Unidas focada na sobrevivência de diversas espécies e  ecossistemas ameaçados pela poluição, pela exploração e a invasão de habitats.
 
Mas a maratona de negociações da Convenção da ONU sobre a Diversidade Biológica enfrenta os mesmos rachas -- a respeito de quais seriam as medidas a tomar -- que se observam na Convenção sobre o Clima entre as nações ricas e pobres. 
 
Os cientistas avisam que a menos que o mundo comece a fazer mais para proteger as espécies, extinções irão se suceder e o mundo natural, marcado por uma intrincada interconexão, sofrerá danos com consequências devastadoras. 

"Nós estamos à beira de um enorme espasmo de extinção", disse Russel Mittermeier, presidente da ONG Conservação Internacional e biólogo que passou décadas estudando primatas. "Ecossistemas saudáveis são os fundamentos do desenvolvimento humano."
 
Se uma parte da complexa rede de organismos vivos desaparece - como abelhas, que têm o papel de polinização e cujo número vem caindo - todo o sistema pode entrar em colapso, argumentam os cientistas.

Esta é a décima edição da Convenção de Diversidade Biológica, que nasceu na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio 92. O objetivo da reunião é chegar a um conjunto de 20 metas quantificáveis para a próxima década para tentar retardar ou parar a tendência de perda de biodiversidade no mundo. 

"A hora de agir é agora e o lugar é aqui", disse o secretário executivo da convenção, Ahmed Djoghlaf.
 
Uma das propostas mais comentadas é a transformação de vastas extensões de terra e oceano em áreas protegidas, embora as nações em desenvolvimento não tenham interesse em reduzir suas estimativas de crescimento econômico para os próximos anos. 
 
Outra questão polêmica é a tentativa de criação de uma estrutura legal para dividir equilibradamente o acesso e os benefícios dos recursos genéticos, como plantas com valor medicinal. Um exemplo é a pervinca rosa, uma planta nativa de Madagascar, que entra na composição de dois remédios contra o câncer. As companhias farmacêuticas do ocidente cultivaram as plantas e lucraram com elas, mas pouco dinheiro voltou para Madagascar. Os países em desenvolvimento argumentam que deveriam receber uma parte dos benefícios advindos da comercialização dos medicamentos.
 
A convenção não tem um bom histórico pregersso. Falhou, por exemplo,  na obtenção de metas globais estabelecidas em 2002 para melhorar a proteção da biodiversidade em 2010.
 
Os cientistas estimam que a Terra está perdendo espécies entre cem e mil vezes mais rápido do que a média histórica. Eles avisam que isso está levando a Terra em direção a sua sexta grande fase de extinção, a maior desde que os dinossauros foram banidos do planeta, há 65 milhões de anos. 
 
Mittermeier disse que em seu campo, a primatologia, dos 669 diferentes tipos de primatas, 49% estão ameaçados, em grande parte por conta da destruição sde habitats e pela caça.
 
"Isso é um indicativo de um risco real de extinção", disse ele.   
Em uma das 20 metas propostas para 2020, os delegados tentarão entrar em consenso quanto à porcentagem de terra e oceanos que deverão ser transformados em áreas protegidas,que podem ser tanto reservas naturais fechadas quanto áreas manejadas para o uso sustentável dos recursos naturais.  

O rascunho do texto final de um acordo cita uma porcentagem de terra entre 15% e 20% do globo, mais do que os atuais 13%. Mas
nenhuma meta específica foi sugerida para os oceanos, dos quais menos de 1% é protegido.     

Mas mesmo que os governos concordem com um número global, a implemantação do plano deverá enfrentar muitos obstáculos,  incluindo a resistência das corporações que não querem desistir do acesso aos recursos hoje disponíveis. 
A Convenção da Biodiversidade foi assinada por 193 nações, mas três não a ratificaram: os EUA, Andorra e o Vaticano.   

Enquanto isso, o Japão, país sede da décima edição da Convenção (que acontece a a 270 km de Tóquio, na cidade de Nagoya) vê no evento uma chance de se apresentar como um defensor da biodiversidade, depois de ajudar a enterrar muitas das medidas da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CITES), entre elas as relativas ao limite do comércio de atum, tubarão e outras espécies marinhas. 
 
Tokyo também tem sido duramente criticada por grupos ambientalistas por seu programa de caça às baleias. 
 
"É uma chance do governo japonês mostrar que o país pode ter um papel de liderança nas questões marinhas e de biodiversidade", disse Wakao Hanaoka, um membro do Greenpeace.