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segunda-feira, 25 de junho de 2012

Uma Guerreira na Rio+20


Este blog tem a honra de apresentar aos seus leitores, mais um texto de uma pessoa que fez história e esteve no centro dos acontecimentos na Rio+20: O relato de hoje é de Elissama Menezes.

Na realidade, Elissama é muito mais que uma simples voluntária do Greenpeace de Salvador. Ela é uma baiana que faz a diferença. Com seu sorriso cativante e jeito de menina sapeca, luta com garra, determinação e coragem por seus ideais. Sempre se faz presente em ações em defesa do meio ambiente. Com certeza muito ainda vamos ouvir falar sobre esta guerreira e suas atuações com o Greenpeace.  

Por seu trabalho e sua luta (pacífica) em prol de um planeta mais sustentável, o Grupo de Voluntários de Porto Alegre tem a dizer que sente o maior orgulho desta baiana retada e, de pé, bate palmas!

Acompanhe abaixo o relato de Elissama Menezes na Rio+20.

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A Guerreira Elissama Menezes

“Por que um barco e não um avião?”



Foi essa a pergunta que uma garotinha de nove anos me fez quando esteve no Rainbow Warrior III na visitação pública no Rio de Janeiro. “Por que melhor que ter um avião ou um navio, é ter um peixe que voa!” Com essa resposta preenchi esse infinito mundo de curiosidades da pequena e ao mesmo tempo me senti plena com a definição que mais se aproxima do que realmente sinto ao estar nesse navio: Algo entre flutuar e navegar.

E nesse embalo chegamos à cidade maravilhosa para comemorarmos os vinte anos do Greenpeace no Brasil e marcar presença na Rio+20. Assim como o segundo Rainbow Warrior esteve na Eco 92. Este evento é considerado, inclusive, a fundação do primeiro escritório do Greenpeace no Brasil.

A inércia dos lideres mundiais (já esperada por todos) é tema para outro blog. Na rua, com a participação popular, a conferência aconteceu de forma ativa, criativa e consistente.

No navio em particular, as mudanças aconteceram não só para quem chegava para conhecê-lo, mas também para quem trabalhou duro, todos os dias, para fazer da visitação ao Rainbow Warrior III um evento marcante na vida dos seus visitantes. Recebemos mais de três mil pessoas por dia! Filas com tempo de espera de até três horas. Jovens, adultos, criancas, idosos, pessoas com necessidades especiais... Todos resistentes a tudo para desfrutar de quinze minutos de visitação ao navio. Quinze, porém mágicos minutos!

Todos unidos por um planeta mais verde e azul
Do outro lado, a equipe do Greenpeace também mostrou ativismo, comprometimento e amor a causa. Trabalhamos duro, todos os dias, com um sorriso no rosto, muita animação e a certeza de que a nossa missão estava sendo cumprida por todos os voluntários. Não só para tornar possível que o público visitasse o RW III, mas também sensibilizar a todos para assinarem a favor da lei do Desmatamento Zero. Cada assinatura que recolhemos, cada reflexão que incitamos (de como é possível navegar com seguranca, conforto e tecnologia em harmonia com o meio ambiente) valeu à pena.

Em particular ver as pessoas não desanimarem e aguentarem o tempo de espera para saber mais sobre a nossa causa foi maravilhoso! Olhar para o lado e ver todas as equipes do Greenpeace reunidas para tornar possível este evento foi gratificante. Fotógrafo/vídeo, staff, voluntários, dds, campaigners, comms... Todos trabalhando com um sorriso no rosto e não se deixando vencer pelo cansaço, foi mágico! Ter a oportunidade de compartilhar o tantinho do que acredito para as pessoas foi impagável e assim fizemos revolução. A verdadeira. A efetiva. Aquela que toca e move as pessoas: A consciência de que é possível um mundo mais verde e sustentável. Assim movemos o mundo.

Aos mais pessimistas, a Rio +20 não passou de um retrocesso. Aos avisados a ausência de bons acordos já era esperada. Aos que saíram às ruas e compartilharam o que acreditavam, devo dizer que revolucionamos!




quarta-feira, 20 de junho de 2012

Um Guerreiro na Cúpula dos Povos


O voluntário do Greenpeace Porto Alegre, Heberton Júnior esteve,  no último final de semana,  participando da Cúpula dos Povos na Rio+20. O ambientalista circulou pelas diversas tentas por lá instaladas, acompanhou palestras ministradas por Paulo Adario, Marina Silva e outros ilustres defensores do meio ambiente. 
Nosso guerreiro ainda encontrou disposição para participar da manifestação "Marcha a Ré"   em protesto contra o retrocesso na legislação ambiental brasileira. Esta maratona cívica  ocorreu no Aterro do Flamengo. 
O grupo de voluntários do Greenpeace Porto Alegre parabeniza este guri do bem por sua brilhante atuação e luta (pacífica) por um planeta mais verde e sustentável. 
Vamos deixar que o próprio Heberton Júnior nos relate sua aventura na Rio+20. 

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Heberton Júnior (a esquerda de camiseta verde próximo a faixa) na manifestação "Marcha a Ré da Rio+20"  

O que vi, ouvi e senti na Cúpula dos Povos*
Durante o último final de semana, tive oportunidade de acompanhar e participar das atividades da Cúpula dos Povos na Rio+20. Concebida como o evento da sociedade civil paralelo à conferência oficial da ONU, a Cúpula dos Povos reúne desde o dia 15 de junho, milhares de pessoas no Aterro do Flamengo para denunciar as causas das crises e as soluções que já existem, potencializando os movimentos de resistência da sociedade.
Foi com uma postura crítica, mas de esperança que viajei para o Rio de Janeiro e durante três dias acompanhei as atividades do Greenpeace e demais organizações. Logo na entrada, tive a visão dos portões da Cúpula, uma energia de paz criada por um universo de povos e gentes enlaçadas pela defesa da vida, por um mundo com justiça social e ambiental.
De uma ponta a outra do Aterro do Flamengo, por onde estão espalhadas as centenas de tendas para atividades da Cúpula, são quase 3 km de extensão. E como nos fluxos da natureza, esse “espalhamento” cria uma centena de bordas e núcleos multicentrais representando um alinhamento horizontal, onde todos os seres e todas as ideias são tratados com a mesma igualdade, possuem a mesma representatividade.
É consenso que no Brasil vivemos um paradoxo, com diversos retrocessos na legislação ambiental e nos direitos humanos. E a crise econômica serve de mote para adiar as medidas de proteção ambiental que poderiam efetivamente salvar o planeta da catástrofe ambiental que já estamos presenciando. Porém a crise econômica passa, mas a crise socioambiental permanece! E o futuro da espécie humana e de milhares de outras espécies continua ameaçado enquanto os líderes mundiais reunidos na falácia da Rio+20 muito discutem e pouco fazem.
Paulo Adario - Diretor Greenpeace de Manaus - em uma plenária
Em uma das plenárias que participei, Marina Silva colocou essa questão com grande habilidade quando afirmou que “nós lutamos acreditando que podemos construir o futuro que queremos, precisamos lutar para ter um futuro! E não há futuro sem florestas, não há futuro sem água, sem mudança nesse modelo de desenvolvimento”. Em outro momento, a ex-senadora e ministra do meio ambiente disse que “a nossa causa é a defesa do Desenvolvimento Sustentável, das florestas, da biodiversidade, das populações tradicionais que estão sendo ameaçadas por uma política que não considera a diversidade cultural”.
Antes de embarcar para o RJ comentei em uma rede social que já estudei, li e ouvi muito sobre as conquistas daquela que foi considerada a maior reunião com fins pacíficos da história da humanidade. Porém, passados vinte anos da Eco-92, os desequilíbrios climáticos se aceleram pelo mundo, a biodiversidade animal e vegetal está em regressão, os desertos crescem, as florestas e as zonas úmidas encolhem.
As causas dessas crises são muito claras. Ao pintar-se a economia de verde e financiar a mercantilização da natureza e dos bens comuns, o fracassado capitalismo propõe continuar com o modelo de consumismo sem levar em conta os limites da natureza. Na cúpula dos Povos, assim como outras organizações, o Greenpeace mostrou que as soluções para as crises já existem. A economia solidária, o cooperativismo, as energias limpas são exemplos de como é possível evoluir na adoção de práticas sustentáveis.
Heberton com o Cacique Raoni
De maneira geral percebi que a sociedade está mobilizada e mais consciente. E o grito que ecoava mais alto vinha dos jovens e populações tradicionais. Em todos os espaços da Cúpula, o rosto de uma geração que luta por seu futuro se fez presente de forma criativa; em cores vivas e marcadas pela cultura ancestral, os índios mostraram sua sabedoria tradicional e sua indignação.


Ao me emocionar junto com centenas de pessoas acompanhando o discurso da “menina que calou o mundo na Eco-92”, concordo com a Severn Suzuki quando ela disse que “juntos somos uma voz alta demais para ser ignorada”. Senti uma imensa alegria ao ver lideranças com o Cacique Raoni ecoando a memória de seus antepassados na luta pelo sagrado direito à terra.
Um dos princípios do Greenpeace é o engajamento das pessoas. Como milhares de pessoas, acredito no poder de transformação da sociedade e dos indivíduos. Volto da Cúpula dos Povos com a certeza de que se depender dos governos, nada será feito. Porém a semente que brota nos corações e mentes dos jovens e dos sonhadores será capaz de trazer esperança para esta e para as futuras gerações.

*Texto Heberton Júnior 

sábado, 16 de junho de 2012

Consumo Sustentável


Ricardo Machado é voluntário do Greenpeace/RJ 

Texto de Ricardo Machado* 

Consumir sem consumir a Mãe Terra e o Irmão Homem

A prática do consumo sustentável significa mais do que a soma das partes. Ele deriva de relações saudáveis, éticas, democráticas, equânimes e socialmente justas.

Nos últimos anos, verificamos alguns avanços na forma de pensar e agir do ser humano. O grande desafio é de motivar e modificar o pensamento das pessoas em relação ao consumo.

Nosso planeta, com recursos naturais vastos, mas finitos, sofre uma degradação ambiental antiga e contínua. O ser humano, principal ator da degradação ambiental, sofre as conseqüências do desrespeito ao meio ambiente em sua vida. A mudança de atitudes na sua postura em relação ao meio ambiente é fundamental para que haja uma transformação. Não resta a menor duvida, estamos diante de um modelo de produção e consumo nitidamente insustentável, já que consumimos mais recursos naturais do que o planeta consegue repor. Isto é, a Terra não está conseguindo repor ar respirável, água limpa e terras sadias, além de não estar conseguindo absorver os resíduos produzidos pela humanidade a uma velocidade compatível com o seu uso ou produção. E isso acontece quando dos quase sete bilhões de habitantes da Terra, somente 1,7 bilhão aproximadamente conseguem consumir sem restrições. Se todas as pessoas do mundo consumissem como os habitantes mais ricos, seria necessário quatro planetas Terra para atender a demanda.

Da relação existente entre as cadeias de produção e o consumo surge à necessidade de refletir sobre o processo do consumo sustentável.

Consumo sustentável é o ato de adquirir, utilizar e descartar bens e serviços com respeito ao meio ambiente e à dignidade humana. Consumo Sustentável quer dizer saber usar os recursos naturais para satisfazer as nossas necessidades, sem comprometer as necessidades das gerações futuras. (Relatório Brundtland, 1987)**.

Um comportamento ambiental consciente tem que ser encarado como uma prática de sobrevivência para todos nós, e para gerações futuras. E exige somente mais atenção com o que está a sua volta.

No dia a dia nos deparamos com várias situações, das mais simples as mais complexas, tais como atitudes profissionais, com a família e o meio ambiente. O critério usado para a tomada de decisão tem que ser repensado uma vez que as atitudes tomadas trarão a curto ou longo prazo conseqüências futuras para o desenvolvimento sustentável, refletir sobre as atitudes tomadas define como estamos convivendo não só com a sociedade, mas também com os recursos naturais, cada opção tem influencia direta com a Mãe Terra.

O consumo sustentável depende da disponibilidade de bens e serviços sustentáveis. Assim existe um binômio, a produção sustentável está associada ao consumo sustentável. O que produzir, descartável ou retornável? Para que produzir, para suprir as necessidades ou para ostentação e acumulo de capital? E para quem produzir, para uma minoria dominante ou maioria excluída? E como consumir? A adesão ao consumo sustentável se faz questionando como, por que, o que, de quem comprar, como usar e como descartar. Ou seja, implica necessariamente, na redução do volume de bens e serviços produzidos e na maneira de consumo da sociedade.

Adquirir apenas o necessário para uma vida digna, minimizar o desperdício e a produção de rejeitos e resíduos, consumir apenas bens e serviços produzidos que não agridam o meio ambiente, motivar processos agrícolas (principalmente a agricultura familiar, cooperativas, comercio justo), proporcionar políticas que se preocupem com questões sociais, culturais e ambientais tanto na produção como na administração mediante parâmetros éticos e conhecer o ciclo de vida dos produtos-CVP, se preocupando com todos os elos da cadeia de produção desde a extração de matéria prima até o descarte, do berço ao túmulo, mediante selo de certificação são algumas das ações em prol do consumo sustentável.

O problema é que existe uma relação inversa entre aqueles que tem acesso aos bens e serviços de consumo, originados com base na obtenção, direta ou indireta, dos recursos naturais, e aqueles que sofrem com a degradação ao meio ambiente causada pelos primeiros.(minoria dominante e maioria excluída) De um lado está a parcela da sociedade que tira de inúmeras formas proveito do meio ambiente, por ter a propriedade dos bens naturais e por poder adquirir os bens e serviços, ao passo que do outro restou a parcela da sociedade que, além de não conseguir tal acesso, ainda é obrigada a arcar com o passivo ambiental alheio.

O conceito adequado de sustentabilidade remete a uma dimensão mais ampla e que extrapola esta visão egoísta dos que faturam com a ciranda financeira, com a especulação, a “doença do lucro”, com o sobe e desce das taxas de juros e do câmbio. O consumo sustentável está relacionado com responsabilidade social, não com investimento. Sustentabilidade é algo que reside na alma e não apenas uma ferramenta que engorda a conta bancária.

Vale apontar um falso dilema quanto ao custo dos produtos sustentáveis. Isto fica claro quando se pensa no curto e no longo prazo. No curto prazo, por vezes, um produto sustentável será mais caro. Mas, dado o fato de que o produto sustentável não terá impactos negativos sobre a sociedade e o meio ambiente, a longo prazo o consumidor não terá que pagar os custos sociais e ambientais que certamente existem no consumo de produtos não sustentáveis. Esta é a troca. Naturalmente, com a saúde em jogo, eu não penso duas vezes em fazer a escolha por pagar um pouco mais hoje para não ter que pagar a mais no futuro com uma moeda denominada saúde.

O consumo sustentável , que o capitalista não faz questão de ver, tem muito com a redução da pobreza, com os direitos das crianças e adolescentes, com o acesso à educação e ao trabalho, com a solidariedade, com o respeito à biodiversidade. A sustentabilidade está vinculada à valorização dos saberes e conhecimento tradicionais e inclui tanto os gestores das corporações quanto os povos da floresta, ribeirinhas, agricultores familiares...

A prática do consumo sustentável significa mais do que a soma das partes. Ele deriva de relações saudáveis, éticas, democráticas, equânimes e socialmente justas.


* Ricardo Machado é Ambientalista, Administrador de Empresas, Pós Graduado em Planejamento e Gestão Ambiental, Voluntário do Greenpeace/RJ

** O termo Desenvolvimento Sustentável é consagrado no relatório Nosso futuro comum, produzido pela Comissão mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, presidida pela norueguesa Gro Harlem Brundtland, a pedido da ONU, e publicado em 1987.